O Papangu

Nascido em Bezerros, o personagem mascarado de nome estranho alegra o Carnaval do Estado e atrai milhares de turistas para desfilar no domingo da folia pelas ruas da cidade.

O papangu tem na sua essência a simplicidade do folião que hoje se move ao som do frevo. Um personagem que surgiu no final do século XIX e teve sua origem, segundo os mais antigos, quando homens decidiram brincar o Carnaval. Na época, chamavam-se entrudos, escondidos atrás de máscaras e vestindo roupas compridas, para que ninguém descobrisse a identidade. Durante a festança, eles percorriam as casas de amigos e parentes modificando a voz e mantendo o rosto escondido. Nesses locais, era servido um angu, espécie de mingau de milho. Dessa brincadeira, surgiu o nome papangu.

Com o passar dos anos, a festa ganhou dimensão, mas a forma de brincar mascarado continuou a mesma. No passado, as máscaras eram confeccionadas com um fruto chamado coité. De casca grossa, seu interior quando cortado ficava em forma de cuia e cobria o rosto. As roupas carregavam a simplicidade do homem do campo e muitas vezes eram confeccionadas com folhas de bananeiras e palha.

Atualmente, as máscaras tradicionais são feitas com papel colê ou machê, cola e tinta. As roupas variam de formas e cores. Podem ser calças, mantas ou as tradicionais caftas (tecidos que cobrem o corpo inteiro), escondendo até as mãos com luvas. Há também quem use a criatividade para incrementar a cultura. Nesses casos, as máscaras podem ser confeccionadas com plástico, borracha e até couro.